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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Sim, puto...Escolheste o alentejano certo para f*der o juízo hoje...

13.09.12publicado por Gato Pardo

Por estes dias, é ligeiramente difícil a uma pessoa distanciar-se de tudo o que se passa neste país.

É simplesmente mau demais.

Hoje falei com um amigo que se encontra no desemprego. É trabalhador, quer trabalhar mas simplesmente não consegue mesmo fora da sua área. A mulher dele encontra-se na mesma situação. Foi "convidada" a sair que é como quem diz, alvo de terrorismo psicológico, chantagem sistemática até que a sua empresa conseguiu os intentos. Têm 3 filhos pequenos. As perspectivas são muito negras.

Hoje (se ainda tivesse alguma dúvida que não tinha), tive a prova que infelizmente existe muita gente capaz que não tem uma oportunidade no mercado de trabalho mas mais grave, existe muito idiota que tem um trabalho mas que não é minimamente merecedor do mesmo. Aliás, é zombar de todos aqueles que passam dificuldades nos dias que correm.

Tinha uma marcação agendada com um cliente para as 13h. Cheguei cedo como habitualmente. Apresentei-me e disse ao que vinha. Contei 7 pessoas naquela chafarica. 1 a trabalhar, 5 a tagarelar e um papa açordas de merda que durante uma hora e meia não foi capaz de levantar o cú para fazer pevas.

Aquilo verdadeiramente incomodou-me. Mais ainda quando o rapazolas (sim, porque aquilo tinha ar de pré adolescente) se dirige a mim (sentado, claro está) e me pergunta:

- Desculpe, o Sr. está à espera de alguém?

- Não...Tenho apenas o hobby peculiar de ficar a olhar para pessoas que ganham vencimento para ficar sentados a ver o tempo passar...Deixe-me adivinhar, o patrão não está cá, pois não? Não, claro que não. Que pergunta idiota...

- Não, é que eu sou alentejano... - diz ele com um sorriso de escárnio.

 

(Olha que piadinha tão gira. E olha logo a quem é que a foste fazer...)

 

Perdi as estribeiras.

Entrei pelo estabelecimento dentro, passei o balcão, baixei-me para ficar ao nível dos olhos dele e sussurrei-lhe.

- Repete lá essa merda que acabaste de dizer, puto...É que não podias ter escolhido melhor pessoa para arrotar essa posta de pescada para o ar.

- ...

- Pois, bem me parecia... Deixa-me contar-te uma história que eu depois tenho uma converseta com o teu patrão. Sou alentejano. Em 18 anos de trabalho, já fiz mais na vida do que tu farás em toda a tua existência a avaliar pelo que vi na última hora e meia. Todos os alentejanos que conheço são das pessoas mais esforçadas e trabalhadoras que conheço. Tu, nem numa enxada deves saber pegar. Nunca deves ter passado fome ou conhecido o desemprego. És um menino bem. Parabéns. Mas deixo-te um aviso. Continua com essa tua maravilhosa postura de parasita social que eu terei todo o prazer em não te ver cá daqui por uns meses. E irei cumprimentar com todo o entusiasmo do mundo quem vier ocupar o teu lugar, se se revelar uma mais valia para o teu patrão. Agora, vai fazer alguma coisa de útil. Se calhar, merecer o teu vencimento...

 

E a conversa terminou ali. Ouvi muitas palavras sussurradas lá dentro mas as minhas costas são largas.

Incomoda-me a existência de parasitas. Os que retiram postos de trabalho a pessoas verdadeiramente merecedoras e os subsídiodependentes (sim, aqueles que se recusavam no passado a trabalhar e que recebem o cheque do MEU dinheiro que todos os meses me é retirado do vencimento).

E a boca dos alentejanos...

Embora as minhas raízes pertençam ao grupo das melhores anedotas nacionais, prefiro mil vezes pertencer a uma parcela da população que trabalha que nem uns cães do que a uns queques da Quinta da Marinha e arredores.

A todos aqueles que visitam este blog e que por infortúnio se encontram no desemprego, desejo-vos a melhor das sortes e que nunca percam a esperança e coragem (por muito que isso por estes dias pareça uma miragem).

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